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Quem é você nas prateleiras do mercado de trabalho?

Você que me lê possivelmente já escutou, alguma vez na infância, que deveria se dedicar a fazer ou estudar algo para ser alguém na vida, certo? Seja pelos adultos, ou na escola ou pela televisão, o fato é que nos foi dito que deveríamos escolher o caminho certo, a universidade certa, a profissão certa para alcançar o tal sucesso e então ser alguém na vida.


E "ser alguém na vida", claro, tem diferentes significados a depender da cultura do ambiente onde vivemos a nossa infância. Para alguns, significava cursar uma universidade específica, para outros ter um cargo importante, exercer determinada profissão, ser dono do próprio negócio… e para a grande maioria, o sucesso estaria em finalmente ter dinheiro. Mas nessa missão maluca de trilhar um tal caminho certo ao invés de trilhar o seu caminho, acabamos por ficar assim: GENÉRICOS.


Aqui, me refiro à nossa identidade pessoal e profissional, mas também à identidade dos nossos sonhos, negócios e empresas. Qual a marca certa? Qual o posicionamento certo? Qual a estratégia certa? Qual o negócio matador? Ficamos obsessivos buscando fórmulas que nos salvem de "ser ninguém" e que nos levem aos caminhos certos, e acabamos nos tornamos repetidores de passos validados para resultados garantidos.


E qual é o custo disso?


Nos tornamos especialistas em caber e perdemos a capacidade de compor, de nos colocar. Cada qual com seu molde e investindo muita energia em construir quem deveríamos ser, acabamos nos tornando apenas mais um dos profissionais super qualificados competindo pelos mesmos espaços nas prateleiras das corporações do mundo. Perfeitamente formatados para caber para caber no gosto do pai, da mãe, do chefe, da empresa, do público, do consumidor. Afinal de contas, não é assim que o mercado pede? Não é assim que o mercado funciona?


Mas reflete comigo - O que tem mais força em você: seu conhecimento ou sua natureza? Quantas vezes o seu conhecimento te salvou e quantas vezes o seu jeito íntimo de aplicar o conhecimento te salvou? Não estou aqui para diminuir o valor do conhecimento, mas para refletir sobre o papel dele. Eu amo estudar, mas a título de quê? Estudar para enriquecer a pesquisa ou estudar para conquistar validação através de mais um conhecimento?


Apesar de ser uma aquariana e rebelde, eu sabia que seguir as regras era também uma fórmula para o sucesso e comecei a missão de me tornar a sabida. Dentro do meu contexto profissional, isso significava conhecer as escolas e referências mais incríveis do mundo do cinema e teatro, conhecer arte, conhecer artistas, e estar a par das tendências e inovações tecnológicas. E claro, ter respostas para tudo!


Toda trabalhada na estratégia do "porque sei" eu fui escolhendo me colocar de maneira inteligente ao invés de verdadeira. Na medida em que eu queria ocupar ou participar de algum grupo ou projeto, eu me dedicava a convencer o entorno de que eu sabia o que fazer.


Mas fui percebendo, na prática, que meus passos inteligentes nem sempre carregavam liberdade. Enquanto eu gastava suor correndo na minha rodinha de rato, comecei a refletir: se faço porque sei, o que vai acontecer quando não eu souber? Diante da resposta trágica, apostei minhas fichas na sabida e me tornei totalmente insegura (chata, arrogante, controladora e competitiva) e pior, presa na obrigação de saber mais e melhor.


A verdade é que minha humanidade não estava dando conta de sustentar a estratégia infalível e que a "garantia do sabido" era uma roupa muito apertada. E o que me permitiu virar a chave? Autoconhecimento! A vida não é algo a ser resolvido, então não faz sentido perder tempo tentando acertar o caminho. Cada um de nós é singular, cada um existe a seu modo e é natural que cada um desenhe o seu próprio caminho. Dar passos verdadeiros trouxeram não só a liberdade, mas uma inteligência outra, a íntima. Fui identificando e reconhecendo o valor da minha natureza singular por trás da aplicação de todo o conhecimento que conquistei.


Saber-me singular, identificar o meu diferencial foi fundamental para "trocar o funcionamento" e criar espaços para que a inteligência que sou existir através do que eu faço. Não são títulos ou escolas que justificam a entrega, mas a experiência em curso, passeando por diferentes estados de consciência, elaborando e integrando em si cada conhecimento que veio de fora. Integrar em mim esse conhecimento e transmitir, mais do que o conteúdo, mas a minha vivência.

Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além.

- Paulo Leminski

A rota de sucesso do mercado acabou por nos enriquecer em títulos, capacitações técnicas e formações. Mas ao mesmo tempo, nos distanciou da nossa identidade única, aquele que já somos, e nos fez genéricos nas prateleiras do mercado de trabalho.


Em breve, o ser humano que não se comunicar, se colocar e interagir através da sua força autêntica, não mais justificará sua participação nas empresas, negócios e demais relações do mercado de trabalho que está em franca automação.


Estamos diante de desafios tão complexos que apenas a nossa singularidade, nossa inteligência intuitiva, será capaz de solucionar. Não existem respostas prontas, estão todas por criar. E ser alguém sem ser você é uma proposta injusta e uma fórmula insustentável. Mesmo participando de uma organização, interagindo com outras pessoas e processos, deve existir o seu caminho íntimo dentro do caminho coletivo. É necessário e funcional.



Hoje meu trabalho tem base segura em quem sou e não mais no que sei. E me alegra muito testemunhar cliente após cliente virando essa chave. Recomendo isso a todos os que já se perceberam de roupa apertada. Quero uma sociedade onde o SER e FAZER possam valer mais juntos!

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1 Comment


Tiago Lasmar
Tiago Lasmar
Jan 06, 2023

Curti demais! Me fez pensar até que ponto os caminhos que tenho escolhido estão relacionados às minhas aspirações ou às "imposições" do contexto que estou inserido. Excelente reflexão!

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